quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Questione.

Em determinada fase da infância, a criança começa a perguntar “por quê?” para tudo. É a famosa “fase dos porquês”. Por que dormir cedo? Por que não pode comer muito doce? Por que é perigoso sair sozinha na rua? Deste modo, a mente curiosa e intuitiva das crianças começa a compreender pouco a pouco o mundo ao seu redor.

Então, pergunto-me: em que fase da vida as pessoas param de questionar as coisas? Por que elas começam a aceitar tudo?

Parece que, depois de um tempo, a maioria dos adultos se torna conformista com o mundo. Perdem aquele olhar abrangente que tinham na infância e na adolescência, deixam de pensar “por que as coisas são assim? Precisam mesmo ser assim?”, se acostumam a reprimir esses pensamentos, em si e nos outros.

Reflexos disso são o racismo, a homofobia, a intolerância religiosa, enfim, o preconceito e a ignorância gerados contra diferentes comportamentos e opiniões, simplesmente por serem diferentes, a aceitação de que tudo que vem de determinada pessoa ou grupo é a única e absoluta verdade. Desde governos opressores a mídia alienante, vários poderes buscam ditar a maneira de pensar das pessoas.

A televisão desempenha um papel importante nisso. As imagens, sons e idéias prontas são atiradas em rápida sucessão, sem que, ao contrário dos livros, o espectador precise interpretar e julgar as informações que recebe. Os canais e as marcas são patrocinados por interesses bem claros. A televisão e a publicidade parecem tornar-se os maiores formadores de opinião da sociedade e substituir a identidade dos indivíduos.

Engana-se quem acredita que essa manipulação é exclusividade da “população ignorante”. Não é. Todas as mídias, televisão, internet, livros, religiões, políticas, até conversas com parentes ou amigos são formadores de opinião. Porém, mais do que mero produto do meio, é necessário ouvir várias fontes antes de emitir julgamentos precipitados. Saber que com certeza nossas opiniões não vão estar certas sempre, mas que elas sejam opiniões próprias, produto de reflexão, ao invés de engolir qualquer coisa que tentam nos vender, pregar, promover ou enfiar goela abaixo.

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.